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João de Deus se entrega à polícia após ter prisão decretada

O médium João de Deus foi preso neste domingo (16) após denúncias de abuso sexual. O líder religioso, que estava foragido desde a tarde deste sábado (15), se entregou à polícia mais de 24 horas após ter sua prisão decretada pela Justiça de Goiás, na sexta-feira (14). De acordo com informações da Polícia Civil, ele se entregou em uma estrada vicinal, na BR-060, localizada no município de Abadiânia, após uma negociação entre o advogado criminalista Toron e o delegado-geral da Polícia Civil, André Fernandes.

 O pedido de prisão preventiva foi feito pelo Ministério Público, que já recebeu mais de 300 denúncias de mulheres que teriam sido sexualmente abusadas pelo médium. O processo corre em segredo de Justiça. Policiais civis fizeram buscas em cerca de 20 endereços na sexta-feira, mas não conseguiram localizar João de Deus.
O delegado-geral, André Fernandes, afirmou que não o consideraria foragido porque a defesa estava em contato com as autoridades para que ele se entregasse.  O prazo estipulado para que ele se apresentasse era até o meio-dia deste sábado. Após as denúncias de abuso sexual, o médium teria retirado R$ 35 milhões de suas contas bancárias e aplicações. Na tarde desta sexta, a defesa do médium enviou um comunicado à imprensa após o pedido de prisão.

 “Nota da defesa de João de Deus 
 1. Na última segunda-feira, dia 10/12/2018, estivemos no MP estadual em Goiania  para obter cópias dos depoimentos prestados pelas vitimas e amplamente noticiados pela imprensa. O pedido foi negado sob o argumento da preservação do sigilo. 
 2. Agora veio o decreto de prisão preventiva e, estranhamente, nos disseram que o processo fora encaminhado de Abadiânia para Goiânia a fim de que o MP tomasse ciência da decisão. Sim, é importante que o órgão acusatório tome ciência, mas ninguém se preocupou em disponibilizar uma simples cópia da decisão para a defesa.
 3. É inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus. Até mesmo o número do processo não se disponibiliza à defesa. 
 4. Que a autoridade judiciária queira impor a preventiva, embora possamos discordar, é compreensível, mas negar acesso aos autos, chega a ser assombroso.” 

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