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Veja Agora: Assembleia Legislativa arquiva CPI sobre Felipe Camarão

Felipe Camarão, Vice-Governador do Maranhão

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava suspeitas de irregularidades envolvendo o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), foi arquivada pela Assembleia Legislativa sem apresentar relatório final. A decisão encerra os trabalhos da comissão, que não conseguiu prorrogar o prazo de funcionamento nem concluir a apuração parlamentar sobre as movimentações financeiras que motivaram sua criação.

O arquivamento foi determinado pela Presidência da Assembleia, em despacho datado de 27 de outubro e assinado digitalmente em 4 de novembro pela presidente da Casa, deputada Iracema Vale (MDB). A CPI havia sido instalada em abril, com prazo de 120 dias, encerrado em 17 de setembro. Uma certidão da Mesa Diretora confirmou que não houve votação em plenário para estender os trabalhos nem apresentação do documento com os resultados da investigação.

A comissão foi criada para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades envolvendo a Vice-Governadoria e a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), pasta que já foi comandada por Camarão. O requerimento de instalação mencionava movimentações financeiras consideradas atípicas, possíveis repasses a terceiros e operações envolvendo pessoas ligadas ao vice-governador.

Os dados que embasaram o pedido de instalação tiveram origem em investigação do Ministério Público do Maranhão (MPMA), que utilizou relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Conforme os documentos mencionados na apuração, as movimentações somavam aproximadamente R$ 39,5 milhões. Desse montante, R$ 19,9 milhões estavam associados a Felipe Camarão, R$ 10 milhões a Alexandre Guimarães Nascimento e R$ 9,6 milhões a Thiago Brasil Arruda, ambos policiais militares citados por suas ligações com o vice-governador. Os valores correspondem a movimentações financeiras identificadas nos relatórios e não representam, necessariamente, recursos ilícitos ou dinheiro desviado.

A CPI foi marcada por divergências desde sua instalação. O deputado Rodrigo Lago chegou a questionar a validade do requerimento que criou a comissão, alegando problemas relacionados ao uso de informações sigilosas e à autoria do documento. Iracema Vale rejeitou a contestação e manteve a investigação.

Durante os trabalhos, os deputados enfrentaram dificuldades para avançar na análise dos requerimentos e na obtenção de documentos. Em junho, o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Ricardo Duailibe, negou um pedido de acesso amplo a processos judiciais e investigações sigilosas envolvendo Camarão e servidores estaduais. O magistrado considerou que as solicitações deveriam identificar individualmente os procedimentos e ser encaminhadas aos juízes responsáveis.

A comissão tinha Ana do Gás na presidência, Adelmo Soares na vice-presidência e Yglésio Moyses na relatoria. Apesar das discussões sobre convocações e pedidos de documentos, o colegiado não conseguiu concluir a apuração dentro do prazo estabelecido.

Após a decisão da Assembleia, Felipe Camarão publicou um vídeo nas redes sociais comemorando o arquivamento. O vice-governador afirmou que recebeu a notícia com emoção e voltou a defender sua conduta.

‘Isso saiu só depois das eleições, mas isso para mim pouco importa. O que importa é que a justiça e a verdade sempre prevalecem. E eu continuo na minha vida pública da forma como eu entrei: honesto, probo, com meu CPF limpo’, declarou.

O encerramento da CPI, no entanto, não representa uma conclusão sobre as suspeitas que motivaram sua criação. Sem relatório final, a Assembleia não apresentou parecer sobre a origem das movimentações financeiras nem declarou comprovada ou descartada a existência de irregularidades.
Via: o informante