No fatídico 24 de agosto de 2024, a pacata cidade de Presidente Médici foi abalada por uma verdadeira batalha campal durante a Assembleia Geral da Associação de Quebradeiras de Coco Babaçu (AQCB). Realizada na Quadra Poliesportiva de Ubinzal, a reunião, que deveria eleger a nova diretoria, logo se transformou em um cenário de tensões e conflitos, revelando fissuras profundas entre as 199 membros da associação. Discursos inflamados e um clima de hostilidade dominaram o ambiente, expondo a vulnerabilidade do grupo frente a pressões externas.
Entre os principais assuntos abordados, destacou-se a apresentação dos números impressionantes da produção das quebradeiras: R$ 617.000,00 em três anos, sendo R$ 290.000,00 provenientes do Programa de Produção de Alimentos (PAA) e R$ 327.000,00 da Subvenção da CONAB. Um sucesso aparentemente, mas que logo foi ofuscado por uma série de denúncias de interferência política. Durante a semana que antecedeu a eleição, candidatos ao legislativo e executivo municipal pressionaram as associadas e formaram chapas, com um vereador e um candidato a vice-prefeito ameaçando processar a diretoria sem base jurídica, segundo relatos das participantes.
A atual presidenta, Kelyane Dias, que assumiu após Tatiane Oliveira, enfrentou um verdadeiro teste de fogo. Apesar de ter enaltecido os avanços da gestão anterior, como o investimento de 2,7 milhões de reais em uma agroindústria, a reunião foi tomada por denúncias alarmantes. Foi revelado que na gestão passada, os cartões bancários das contas da associação estavam sob o controle de um vereador e de um secretário municipal, privando as associadas de informações vitais sobre os valores recebidos.
As tensões aumentaram ainda mais com a presença de representantes de outros sindicatos da região, que, longe de fortalecer a associação, acabaram alimentando as chamas do conflito. A situação ficou tão grave que a comissão eleitoral decidiu suspender a eleição, adiando-a para após as eleições municipais, na esperança de evitar mais interferências externas e permitir uma votação justa e tranquila.
A decisão da suspensão veio como resposta ao crescente temor de um retorno ao período sombrio da gestão anterior, onde as finanças da associação eram manipuladas nas sombras. Indignados, os colaboradores sindicais prometeram levar o caso às autoridades competentes, buscando justiça para as associadas.
Diante desse cenário caótico, o compromisso da atual gestão com a transparência e a ética foi reafirmado, mas o futuro da associação permanece incerto, marcado por uma batalha de forças que vai muito além da simples escolha de uma nova diretoria.

