Uma reportagem exibida pela TV Mirante revelou um escândalo bilionário envolvendo o seguro defeso, benefício destinado a garantir a subsistência de pescadores durante o período em que a pesca é proibida por lei para preservação ambiental. O epicentro do esquema está no município de Cedral, localizado no litoral ocidental maranhense.
De acordo com a apuração, Cedral chama atenção pelo número desproporcional de beneficiários do seguro defeso. Em 2025, já foram repassados mais de R$ 17 milhões ao município por meio do programa — valor superior ao total destinado ao Bolsa Família na cidade no mesmo período. O problema é que uma parcela significativa desse montante não tem chegado aos verdadeiros pescadores artesanais.
Segundo denúncias recebidas pelo blog Veja Agora, o dinheiro estaria sendo desviado por meio de uma rede de atravessadores e intermediários, que se aproveitam da fragilidade na fiscalização para lucrar com a inclusão irregular de beneficiários no sistema. Muitos dos supostos pescadores afirmam ter entregue documentos a essas pessoas com a promessa de receber o benefício — alguns já teriam recebido valores, enquanto outros ainda aguardam.
A presidente da Colônia de Pescadores de Cedral, conhecida como Zica do Sindicato, que também ocupa o cargo de vice-prefeita do município, se manifestou em defesa da entidade, atribuindo a responsabilidade do esquema aos atravessadores. No entanto, ela própria admitiu que recebeu o seguro defeso até o ano passado, o que levanta questionamentos sobre a lisura e os critérios de concessão do benefício.
O caso ganhou repercussão estadual e deverá ser alvo de investigações por órgãos de controle como o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal. A fraude no seguro defeso não apenas lesa os cofres públicos, mas principalmente penaliza os verdadeiros trabalhadores do mar, que dependem do recurso para sobreviver durante o período de proibição da pesca.
Enquanto isso, novas denúncias continuam chegando, revelando um esquema ainda mais complexo e que pode envolver outros municípios maranhenses. A investigação completa ainda está em andamento, mas o escândalo já expõe falhas graves no sistema de concessão do benefício e evidencia a necessidade urgente de uma fiscalização mais rigorosa.

