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“Pode isso, Arnaldo?” Em Afonso Cunha, a Primeira-Dama tem gabinete com 3% do FPM à disposição

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Em uma decisão inédita no Maranhão — e possivelmente no Brasil — o prefeito de Afonso Cunha, Pedro Ferreira Medeiros, sancionou a Lei nº 377/2024, instituindo o Gabinete da Primeira-Dama com status de Secretaria Municipal. Agora, a esposa do gestor, Maria Cilene Medeiros, assume oficialmente o cargo de Secretária Municipal, com direito a CNPJ, conta bancária própria e 3% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A medida tem gerado polêmica e levantado questionamentos sobre a legalidade e a necessidade de tal estrutura administrativa.

A nova “Secretaria da Primeira-Dama” não é apenas um título pomposo; é uma estrutura com orçamento, equipe e autonomia para atuar em áreas como assistência social, saúde, educação, segurança alimentar, habitação, cultura, esporte e políticas voltadas à mulher e à criança. Entre suas atribuições, estão desde a organização de eventos até a arrecadação e distribuição de doações, passando por campanhas de prevenção e ações emergenciais.

Com essa medida, Afonso Cunha entra para a história como o município que transformou o posto de Primeira-Dama em um ‘cargo municipal’, com poder de fogo e autonomia administrativa. A cidade agora conta com uma “Gabinetona” que pode inspirar outras gestões a seguir o modelo. Já viu se a moda pega?

Sobre o uso do FPM pelo Gabinete da Primeira-Dama

O FPM (Fundo de Participação dos Municípios) é um recurso federal destinado a financiar despesas públicas do município, como saúde, educação, infraestrutura e programas sociais. Ele não é originalmente destinado a criar cargos ou estruturas políticas para familiares do prefeito.

A criação do Gabinete da Primeira-Dama com direito a 3% do FPM não passa despercebida no cenário jurídico e pode abrir um campo fértil para questionamentos. Apesar de existir uma lei municipal autorizando o repasse, a medida pode ferir princípios constitucionais como impessoalidade, moralidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal. A destinação direta de recursos a um órgão comandado pela esposa do prefeito levanta suspeitas de possível favorecimento pessoal e pode colocar a gestão de Pedro Medeiros sob o radar do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público do Maranhão, que podem investigar a legalidade da norma e, em última instância, levar o caso ao Judiciário para pedir a suspensão da lei.

Via: Blog do Minard

Veja no Diário Oficial

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Fernando Pessoa torrou R$ 5 milhões em diárias em dois anos, pode isso?

O Ministério Público de Contas do Maranhão entrou com uma Representação contra o prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa, por detectar que o Município realizou gastos milionários com diárias pagas a servidores públicos referentes ao exercício de 2022.

De acordo com o Portal da Transparência de Tuntum, os empenhos somam mais de R$ 3 milhões, dos quais foram pagos pouco mais de R$ 2,9 milhões. O valor é altíssimo se comparado a anos anteriores.

Conforme citado pelo Procurador-Geral de Contas, Jairo Cavalcanti Vieira, que assinou a Representação,  foi verificado que no ano de 2020 foram pagos pouco mais de R$ 140 mil em diárias. Já em 2021, quando Fernando Pessoa assumiu a prefeitura foram gastos quase R$ 2 milhões. Portanto nos dois últimos anos, foram pagos um total de R$ 5 milhões.

O aumento substancial das despesas chamou a atenção do chefe do MPC que fez um comparativo de gastos realizados no ano de 2022 por entes municipais. Um exemplo claro da elevação fora do comum é o caso de São Luís que, com uma população de mais de 1 milhão de habitantes não pagou nem R$ 400 mil em diárias, enquanto a cidade de Tuntum, onde não há 50 mil habitantes, torrou somente em um ano R$ 3 milhões.

Veja o comparativo feito com informações enviadas ao TCE-MA:

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Gastos direcionados pela Prefeitura de Tuntum

Não bastasse o montante absurdo, consta na lista de recebedores pessoas que nem sequer ocupam cargos públicos, como é o caso da primeira-dama Érika Costa Pessoa. A esposa do prefeito recebeu no ano passado R$ 46 mil em diárias, chegando a receber em um único mês o montante de R$ 12.500,00. E detalhe: no histórico de empenhos consta que a senhora Érika recebeu diárias “para acompanhar o prefeito em suas demandas” e “a serviço da Administração Pública”.

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Diante do exposto na Representação (veja abaixo), o MPC requer ao Tribunal de Contas do Estado auditoria e inspeção do pagamento de diárias pela prefeitura de Tuntum. Caso constatada irregularidades, Fernando Pessoa, além de pagar multa e ressarcir os cofres públicos, deverá ter contas desaprovadas pelo TCE e posteriormente tornar-se inelegível.

Confira a íntegra do documento encaminhado ao TCE-MA pelo Ministério Público de Contas: Representação

Por: Minard