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Bomba bomba e bomba!!! Mesmo cursando odontologia, filha de Zica do Sindicato recebeu seguro-defeso como pescadora artesanal em Cedral

Zica do Sindicato e Sua filha estudante de odontologia Ariane

 

O município de Cedral, no Maranhão, é palco de um dos mais evidentes e constrangedores casos de fraude com dinheiro público federal. A vice-prefeita do município, Zica do Sindicato, e sua filha, Ariane Cristina Silva Soares, receberam indevidamente o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal (SDPA), benefício pago a trabalhadores da pesca artesanal durante o período de defeso.

As duas, no entanto, não exercem atividade pesqueira artesanal de forma contínua nem exclusiva, como exige a lei. Pelo contrário:
• Zica do Sindicato, além de ser presidente da Colônia de Pescadores, trabalhou como professora entre 2018 e 2022 na gestão do ex-prefeito Jadson Passinho. Mesmo assim, voltou a ser registrada como pescadora após 2020 e recebeu o seguro-defeso até o ano de 2024;
• Em 2025, quando assumiu oficialmente o cargo de vice-prefeita, ela deixou de receber o benefício;
• Sua filha, Ariane, por sua vez, cursava odontologia durante o período em que recebeu o seguro-defeso de 2025, mesmo nunca tendo atuado como pescadora.

A fraude foi possível por meio da autodeclaração falsa feita junto à Superintendência Federal da Pesca, que liberou o Registro Geral da Pesca (RGP) com base apenas em declarações. Esse RGP, uma vez emitido, foi utilizado para solicitar o benefício, que foi concedido automaticamente pelo sistema informatizado do INSS (via Dataprev), sem checagem humana, como ocorre em aproximadamente 80% dos pedidos.

⚠️ É importante reforçar que o INSS não teve responsabilidade direta na fraude. O sistema apenas processou as informações validadas previamente pela estrutura da pesca, que tem sido usada por pessoas de má-fé para fraudar o acesso ao benefício.

A própria Zica confirmou em entrevista à TV Mirante que recebeu o benefício até 2024. No entanto, omitiu o fato de ter exercido o magistério com vínculo formal antes disso e de ser, desde 2021, vice-prefeita eleita de Cedral, o que a desqualificaria legalmente como pescadora artesanal.

Video: Vice-prefeita de Cedral, Zica do Sindicato admite ter recebido seguro defeso em meio a escândalo bilionário

Zica do Sindicato

Uma reportagem exibida pela TV Mirante revelou um escândalo bilionário envolvendo o seguro defeso, benefício destinado a garantir a subsistência de pescadores durante o período em que a pesca é proibida por lei para preservação ambiental. O epicentro do esquema está no município de Cedral, localizado no litoral ocidental maranhense.

De acordo com a apuração, Cedral chama atenção pelo número desproporcional de beneficiários do seguro defeso. Em 2025, já foram repassados mais de R$ 17 milhões ao município por meio do programa — valor superior ao total destinado ao Bolsa Família na cidade no mesmo período. O problema é que uma parcela significativa desse montante não tem chegado aos verdadeiros pescadores artesanais.

Segundo denúncias recebidas pelo blog Veja Agora, o dinheiro estaria sendo desviado por meio de uma rede de atravessadores e intermediários, que se aproveitam da fragilidade na fiscalização para lucrar com a inclusão irregular de beneficiários no sistema. Muitos dos supostos pescadores afirmam ter entregue documentos a essas pessoas com a promessa de receber o benefício — alguns já teriam recebido valores, enquanto outros ainda aguardam.

A presidente da Colônia de Pescadores de Cedral, conhecida como Zica do Sindicato, que também ocupa o cargo de vice-prefeita do município, se manifestou em defesa da entidade, atribuindo a responsabilidade do esquema aos atravessadores. No entanto, ela própria admitiu que recebeu o seguro defeso até o ano passado, o que levanta questionamentos sobre a lisura e os critérios de concessão do benefício.

O caso ganhou repercussão estadual e deverá ser alvo de investigações por órgãos de controle como o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal. A fraude no seguro defeso não apenas lesa os cofres públicos, mas principalmente penaliza os verdadeiros trabalhadores do mar, que dependem do recurso para sobreviver durante o período de proibição da pesca.

Enquanto isso, novas denúncias continuam chegando, revelando um esquema ainda mais complexo e que pode envolver outros municípios maranhenses. A investigação completa ainda está em andamento, mas o escândalo já expõe falhas graves no sistema de concessão do benefício e evidencia a necessidade urgente de uma fiscalização mais rigorosa.