
Nesta segunda-feira (20), o juiz Osmar Gomes dos Santos, titular da 2ª Vara da Fazenda Pública, emitiu uma decisão que impacta diretamente a relação entre o Executivo e o Legislativo de São Luís. A sentença obriga o prefeito Eduardo Braide (PSD) a efetuar o pagamento de emendas impositivas destinadas a vereadores reeleitos, previstas na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024.
A medida beneficia 16 parlamentares: Aldir Júnior (PL), Andrey Monteiro (PV), Antônio Garcez (PP), Marlon Botão (PSB), Concita Pinto (PSB), Daniel Oliveira (PSD), Marquinhos (União Brasil), Astro de Ogum (PC do B), Coletivo Nós (PT), Octávio Soeiro (PSB), Nato Júnior (PSB), Rosana da Saúde (Republicanos), Raimundo Penha (PDT), Thyago Freitas (PRD), Paulo Victor (PSB) e Beto Castro (Avante). Eles alegaram que o valor total de R$ 87.525.792,00, previsto para as emendas, não foi integralmente quitado pela administração municipal.
Ação e Decisão Judicial
Os parlamentares ingressaram na Justiça com pedidos de habilitação como litisconsortes ativos em uma Ação Ordinária de Obrigação de Fazer, inicialmente movida pelo ex-vereador Ribeiro Neto (PSB), que também buscava o pagamento de suas emendas impositivas referentes a 2024. Em sua decisão, o juiz Osmar Gomes destacou que as emendas parlamentares têm execução obrigatória, conforme previsto na Constituição Federal e na Lei Orgânica Municipal.
“A não execução dessas emendas afronta diretamente os direitos dos grupos e instituições beneficiados, além de comprometer a democratização do orçamento público”, afirmou o magistrado.
Cronograma e Pagamento
Na sentença, Osmar Gomes determinou que os valores devidos sejam reservados no Orçamento de 2025, que será votado em fevereiro, e que o município apresente, em até 15 dias, um cronograma detalhado para a tramitação e pagamento das emendas de 2024. O pagamento dos valores pendentes deverá ocorrer em até 60 dias após a aprovação do orçamento do próximo ano.
Além disso, o juiz enfatizou a necessidade de igualdade na liberação de emendas, garantindo que todos os parlamentares sejam contemplados de forma justa, independentemente de possíveis preferências políticas. Ele também citou jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a obrigatoriedade de execução das emendas impositivas desde que estejam aptas para liberação.
Impactos e Contexto
A decisão reforça a prerrogativa dos vereadores em alocar recursos para atender às demandas locais, reafirmando o papel das emendas impositivas na descentralização e democratização do orçamento público. No entanto, o cumprimento da sentença dependerá da ação do Executivo e do monitoramento do Legislativo.
Com a determinação judicial, cresce a pressão sobre a gestão de Eduardo Braide para atender às exigências legais e evitar novos embates com a Câmara Municipal. Enquanto isso, a população aguarda os benefícios diretos das emendas, que incluem melhorias em diversas áreas, como saúde, educação e infraestrutura.