
A Prefeitura de Pinheiro, sob a gestão do prefeito André da Ralpnet , está no centro de mais uma polêmica após a abertura de um processo licitatório no valor de R$ 819.059,80 para a contratação de serviços funerários com validade de 12 meses. A iniciativa, voltada à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, chama atenção não apenas pelo montante envolvido, mas pela alta quantidade de serviços previstos e pela ausência de critérios claros que justifiquem os números.
Segundo o edital publicado, o contrato contempla 1.216 serviços funerários a serem executados ao longo de um ano. Estão previstas a aquisição de 280 urnas funerárias padrão adulto, 60 urnas infantis e 60 para natimortos. Além disso, o pacote inclui 280 serviços de translado de corpos, 280 ornamentações de urnas, 196 procedimentos de tanatopraxia, além de coroas de flores, vestimentas, placas de identificação, abertura e fechamento de sepulturas, aluguel de capelas de velório, transporte de acompanhantes e até translado interestadual de corpos.
Ao se debruçar sobre os números, é possível constatar que a gestão trabalha com uma projeção que representa, em média, mais de uma morte por dia no município, totalizando cerca de 400 mortes em um período de 12 meses, apenas com base nas urnas previstas. A quantidade de serviços e os itens contratados sugerem uma estimativa elevada, sem que o edital apresente qualquer estudo técnico, demográfico ou estatístico que respalde essa demanda.
Outro ponto preocupante é que não há, no documento, nenhuma diretriz clara sobre os critérios de acesso da população aos serviços funerários públicos. A falta de regras e parâmetros levanta dúvidas sobre quem poderá ser beneficiado, quais famílias terão direito ao auxílio e como será feito o controle desses recursos.
Embora a licitação esteja dentro dos trâmites legais, a ausência de transparência, planejamento e justificativas técnicascoloca em xeque a forma como a administração municipal lida com o dinheiro público. Em uma cidade marcada por problemas estruturais graves nas áreas da saúde, educação e infraestrutura, o investimento de quase R$ 1 milhão em serviços funerários, sem qualquer critério previamente estabelecido, soa no mínimo como uma medida questionável.
O caso reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, além de acender um alerta para que a população cobre mais responsabilidade e clarezada gestão sobre onde e como estão sendo aplicados os recursos públicos em Pinheiro.